Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Da beleza dos dias de invasão

Pós-invasão: s. f.  Descansar depois, vencida a batalha e tomado o espólio. Deixar o corpo adormecer dentro da armadura para não esquecer a beleza do confronto e encostar a cabeça nas ervas finas para adivinhar a maciez do tempo de paz. Sonhar que as estrelas têm contendas em que disputam o melhor espaço no céu, o maior brilho, a maior proximidade da Terra. Acordar e estar entre elas – a cabeça no colo da mais brilhante. (in: Dicionário dos Dias)

publicado por Clara Umbra às 13:30
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Sábado, 26 de Dezembro de 2009

Da insuportabilidade dos dias de espera

Insuportabilidade: s. f. Solo instável, tempo sem densidade, conflito maneirista, dissociação da sensibilidade, premonição de queda, absurdo radical. (in: Dicionário dos Dias)

publicado por Clara Umbra às 18:58
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Um enigma é um enigma é um enigma é um enigma

Estão Deus, S. Francisco de Assis* e um cão presos num labirinto. Deus condenado à sua infinita sabedoria, S. Francisco de Assis ao seu Deus e o cão à sua natureza.

Fora do labirinto, um sino dá o alarme, um berimbau o descontentamento e uma gaita de foles o absurdo e o desconcerto do mundo.

Todos – sejam divinos, humanos, animais ou musicais – estão presos. O que os poderá libertar?

publicado por Clara Umbra às 16:29
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O tempo nos revelará

Cicatrizemos juntos, então.

Mas sangremos – antes.

 

Clara Umbra e Blue E-Bow

publicado por Clara Umbra às 00:00
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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Alguém olhará por ti

E os dois, como velhos continentes, voltaram a juntar-se, misturando montes, vales e rios sob um mesmo céu. Um mar acordou, então, despertado pela convulsão, e só voltou a adormecer quando a lua lhe verteu a sua luz branca e dolente.

publicado por Clara Umbra às 00:44
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

autumn leaves [ii]

(foto Clara Umbra)

publicado por Clara Umbra às 00:55
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

E a água? Transformou-se em fogo.

O rolo de músicas caiu devagar na água do lago parada há muito tempo. Primeiro, enquanto se aproximava, encantou-a com as sua melodias e fê-la rir com as insuspeitas combinações que as palavras, retiradas das músicas a que pertenciam, construíam. Quando, por fim, tocou a sua superfície, transformou-a em fogo. A água já conhecera muitas coisas belas: as cores dos pássaros, a sombra dos arvoredos, a calma adormecida do estio, o eco das montanhas... mas nada se comparava ao que conhecia agora, que lhe retirava o oxigénio,  incendiava o hidrogénio e a revolvia por dentro. A música beijou a água e a água ficou mais doce, mais densa, mais água.

E as músicas? Viram-se espelhadas na água e finalmente reconheceram a sua beleza.

publicado por Clara Umbra às 01:17
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Este é um blogue de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Ou fruto da imaginação do(a) leitor(a) - o que é bom.

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