Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Um quase epitáfio para Clara Umbra

Venham o Zéfiro, o Bóreas, o Eurus e o Notus

que a doce musa está em pranto

a noite é escura e fria para ela

e nada é mais amargo que o seu canto.

 

No nono mês teve ela no computador

um aziago e fatal curto-circuito

agora foi o do carro alternador

em mais um acontecimento fortuito.

 

Queimou-se a peça, derreteu

e não havendo possível salvação

comunicou-lhe o mecânico duro e frio

que quatrocentos euros não chegarão.

 

Oh Atena dos olhos garços

onde estás tu nesta hora?

Que qual Ifigénia se sacrifica

Clara Umbra sem demora!

 

Olha à sua volta em casa

procura algo antigo e portento

para levar ao Antiques Roadshow

e ganhar algum alento.

 

Vem-lhe Campos e segreda

"Come chocolates, pequena"

E Clara Umbra apenas murmura

Não, Álvaro, isso não me serena.

 

 

"Verde que te quero verde"...

Vem Garcia Lorca em alta grita

mas interrompe-o Clara Umbra

Federico, não me deixes mais aflita!

 

Aproxima-se da sua janela

qual Joaninha em desespero

o cru suicídio pondera

quem nunca antes sonhou fazê-lo

 

Olha a alta e grande lua

(espreitem hoje o céu e vê-la-ão)

e ouve Reis lembrar-lhe que

                         " em cada lago a lua toda

                          brilha, porque alta vive"

Oh, Ricardo, amigo, hoje, não!

 

 

E à janela ouve ainda

o grande Gastão Cruz

"Na poesia procuro uma casa onde o eco

existe sem o grito que todavia o gera."

 

Recolhe-se então Clara Umbra.

Está fresco, não é noite para se matar.

Calça umas meias, veste um casaco

Abre o PC e vai mas é blogar.

 

publicado por Clara Umbra às 22:19
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7 comentários:
De sangue azul a 15 de Outubro de 2008 às 23:55
Agora tu, Calíope, me ensina
O que motivará tamanha diatribe
Que, qual súbita derrocada do PIB,
Se abate sobre a nossa sina?

Se a resposta a tal prece não sabes
Por nós, blog-adictos, intercede
E com toda a convicção connosco pede:
Ó Clarinha Umbra, não te apagues!
De Anónimo a 15 de Outubro de 2008 às 23:58
"Se eu pudesse dizer-te: - Senta aqui
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viageiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse ..."
De Clara Umbra a 16 de Outubro de 2008 às 00:32
Da boa decisão se regozija
De não se ter matado se compraz
Clara Umbra, Clara musa
Que assim atrai tanto rapaz!

Ele é o grande O'Neill revisitado
Ele é poesia feita para si
Eternamente agradecida
Fixolinha!, diz e sorri.
De Moyle a 16 de Outubro de 2008 às 03:36
Excelente!
Sem mais comentários.
:)

[sabias que o plágio está na moda?]
De Clara Umbra a 16 de Outubro de 2008 às 10:45
:D

[e não é que está mesmo?]
De guiga a 17 de Outubro de 2008 às 17:40
"Epitáfia" muito!
Vou de férias! hehehe Até dia 24!
Beijossssssssssss *.*
De Clara Umbra a 19 de Outubro de 2008 às 00:38
Outra vez?! Boooooooolas, já será um bocadinho de mais, não?

Boas férias!
[Argh!: leia-se "espasmo de inveja"]

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