Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Nocturno (parte D)

Quando o jovem Jorge V. decidiu estudar Medicina, não o fez com a intenção de vir a salvar ou a curar quem quer que fosse. Não pensava sequer no tempo posterior à conclusão dos estudos. O que o jovem Jorge V. queria era conhecer o homem. Conhecer o homem enquanto matéria que significa. Conhecê-lo por dentro, a fundo, saber tudo o que o constitui e como todos os constituintes se relacionam de forma a produzir esse todo que é o homem, que vive e respira e se move e pensa e se emociona. Muitas vezes ele dizia que queria ser como o estudioso da língua que conhece a fundo uma língua natural, que conhece cada som, cada letra, a forma como se combinam para constituir uma sílaba e uma palavra, a forma como as palavras se combinam em frases, o modo como as frases se combinam num texto, a relação entre todos os textos de uma língua, e destes com os textos de todo o mundo.

Quando completou o seu curso, porém, e de forma particular no estágio, apercebeu-se de que havia coisas que lhe faltava perceber no homem-matéria. Queria conhecer a evolução de um homem, determinado, ao longo do tempo; conhecer as reacções dos homens ao que ele, homem também, mas do lado de cá, lhes fazia, saber que efeito poderia ele ter nessa matéria que durante anos estudara.

Assim, tornou-se médico. Como o estudioso da língua se pode tornar professor. Para ver a sua matéria-prima viver. E errar.

(cont.)

publicado por Clara Umbra às 02:26
link do post | comentar
5 comentários:
De Moyle a 2 de Dezembro de 2008 às 00:50
o dr. V encaixa perfeitamente na minha visão dos médicos, isto é, escolheu a profissão por motivos egoístas...
De Clara Umbra a 2 de Dezembro de 2008 às 22:39
E há outros motivos?
De Moyle a 3 de Dezembro de 2008 às 01:18
os altruístas, por exemplo (yah, chama-me inocente:))
De guiga a 2 de Dezembro de 2008 às 16:51
Vais editar um livro?!?!?! :P
*.*
De Clara Umbra a 2 de Dezembro de 2008 às 22:40
Vou: a Bíblia!

Clara Umbrenberg

Comentar post

INTRO

DISCLAIMER

Este é um blogue de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência. Ou fruto da imaginação do(a) leitor(a) - o que é bom.

DOWNBEAT

SEHNSUCHT

BACKYARD

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Dezembro 2015

Julho 2015

Maio 2015

Dezembro 2014

Setembro 2014

Fevereiro 2014

Dezembro 2013

Julho 2013

Novembro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

EMBERS

blogs SAPO

subscrever feeds

Sitiométrio